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23 de Junho de 2017

Discurso do Embaixador de Portugal no Brasil por ocasião do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas


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Brasília, 21 de junho de 2017

Em nome da minha mulher e em meu nome, gostaria de os saudar a todos e dizer-lhes que é, para nós, uma imensa honra e uma enorme satisfação poder recebê-los esta noite, neste magnífico enquadramento, para comemorarmos juntos o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades portuguesas.

As circunstâncias determinam que nos reunamos num momento particularmente doloroso para Portugal, onde no passado domingo mais de 60 pessoas perderam a vida de forma trágica, e muitas ficaram feridas e perderam os seus bens, num incêndio florestal que devastou parte do município de Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, no centro do país. Como disse Sua Excelência o Presidente da República, na sua comunicação aos portugueses, é preciso que sejamos um só perante esta catástrofe, homenageando os mortos, consolando os seus familiares e amigos, e apoiando as instituições e autoridades que, bravamente, se opuseram à destruição. Peço-vos, por isso, que me acompanhem num minuto de silêncio.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Espero que o curto filme que acabaram de ver tenha despertado o vosso interesse em visitar, ou revisitar, Portugal. Como muitos de vós já saberão, estes são apenas alguns dos numerosos atrativos que temos para oferecer. Considerem o filme, e as minhas próximas palavras, um convite pessoal, e muito amigo, para nos visitarem.

Nesta função de representar Portugal e o Estado português no Brasil, que muito me honra e de que tanto me orgulho, venho constatando, diariamente, a força e o dinamismo dos laços que unem os nossos dois países. De facto, este meu primeiro ano no Brasil tem sido, a todos os títulos, muito especial!

O Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas ficou este ano marcado pela sua inédita comemoração no Brasil (em São Paulo e no Rio de Janeiro), na presença de Suas Excelências o Presidente da República e Primeiro-Ministro. Os nossos representantes políticos máximos fizeram questão de se deslocaram ao Brasil, nos dias 10 e 11 de junho, para homenagearem os portugueses e luso-descendentes aqui radicados. Tratou-se, sem dúvida alguma, de um gesto de grande simbolismo e enorme significado, que apenas comprova a importância e a vitalidade da comunidade portuguesa e luso-descendente num país que sempre nos acolheu com generosidade e onde nos sentimos em casa.

É com enorme satisfação e alegria que verifico que o Brasil parece estar, cada vez mais, a “descobrir” Portugal. Desde logo pela ação e o conselho da numerosa comunidade portuguesa, que adotou o Brasil como segunda pátria e que constituem os nossos melhores “embaixadores”. E graças, também, à voz dos nossos artistas e académicos, ao testemunho de mais de 8.000 estudantes brasileiros que atualmente frequentam as universidades portuguesas, à excelência dos nossos centros de investigação, às elevadas qualificações dos nossos profissionais, à reconhecida vanguarda das nossas empresas, aos singulares sabores dos nossos produtos e às boas recordações trazidas por mais de um milhão de turistas brasileiros que, em número jamais visto, visitam agora Portugal, anualmente. (Aliás, este ano batemos o recorde absoluto de número de turistas brasileiros em Portugal).

O Brasil, por sua vez, acolhe-nos com familiaridade e afeto, e somos moldados pela sua realidade extraordinária. Nos dois lados do Atlântico, encontramos parentes, partilhamos referências, hábitos e histórias e usamos a mesma língua: a língua portuguesa, cantada por Amália Rodrigues e Tom Jobim, imortalizada por poetas e escritores dos nossos países.

A língua portuguesa une a pluralidade do Brasil, vincula reciprocamente os nossos dois povos e liga-nos ambos a outras nações distantes, em África, na Ásia e na Oceânia. Uma língua que, como lhe chamou a escritora Agustina Bessa-Luís, ao ser agraciada com o “Prémio Camões”, “é alma de comunicação e esperança”.

Cumprindo o destino natural de dois países irmãos, é-me, assim, grato registar que as relações entre Portugal e o Brasil se projetam, cada vez mais, num futuro de partilha e modernidade.

Contamos com todos, portugueses, brasileiros e luso-brasileiros, para que tragam mais Portugal ao Brasil e participem, com entusiamo, na construção deste futuro comum de que todos nos orgulharemos e de que todos teremos muito a beneficiar.

Não posso deixar de agradecer, reconhecido, a todos quantos, generosamente, permitiram, através de diversos apoios e patrocínios, que as comemorações desta noite fossem possíveis.

Agradeço antes de mais à POUPEX, na pessoa do Senhor General Eron, a disponibilização deste espaço e a colaboração da sua excelente equipa. Agradeço também à EDP-Brasil, ao Banco Caixa Geral, à ECB, ao Azeite Andorinha e ao Azeite Gallo, à Cisa Trading, à GALP, à Dinâmica, à Cuatrecasas, à Audi, à TAP, à Delta, ao Hotel Royal Tulip de Brasília, ao Empório Lusitano e à Luís Duarte Vinhos.

Gostaria, além disso, de deixar o meu vivo reconhecimento à equipa da Embaixada que, com profissionalismo, dedicação e entrega, cuidou dos complexos detalhes e preparativos desta festa.   

E como foi o mar, o destino ou o Fado que irremediavelmente nos uniu, deixo agora o palco à Carminho, uma das vozes mais conceituadas da nova geração de fadistas portugueses, que tão bem sabe sentir e interpretar a nossa alma.

Que esta seja uma noite mágica e inesquecível para todos nós.

Viva o Brasil! Viva Portugal!

 

Jorge Cabral

Embaixador de Portugal no Brasil